Bispos latino-americanos priorizam recuperação do papa Leão XIV e admitem adiar viagem

Representantes da Igreja no Uruguai, na Argentina e no Peru estão dispostos a alterar a agenda ou remarcar a visita do pontífice após cirurgia para retirada de tumor no pulmão.

Os bispos do Uruguai, da Argentina e do Peru estão dispostos a adiar a visita do papa Leão XIV à América Latina ou adaptar a programação para respeitar o tempo de recuperação do pontífice após uma cirurgia para retirada de um tumor no pulmão direito. Apesar da expectativa dos fiéis pela chegada do líder católico, os representantes da Igreja afirmam que a saúde dele deve ser a prioridade.

A posição foi manifestada nesta segunda-feira (19) pelo cardeal Daniel Sturla, arcebispo de Montevidéu, por Alejandro Nicolás Musolino, bispo auxiliar de Córdoba, na Argentina, e por Edinson Farfán, bispo de Chiclayo, no Peru. Eles participaram de uma coletiva de imprensa organizada pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

A viagem está prevista para ocorrer entre 6 e 17 de novembro. Os preparativos continuam nos três países, mas os bispos demonstraram compreensão diante da possibilidade de mudanças no cronograma.

“Estamos interessados na sua saúde, na sua recuperação, que seja ótima. E, se isso significar adiar a viagem, tudo bem”, afirmou Farfán. O bispo destacou a importância da visita para os católicos peruanos, mas ressaltou que a recuperação do pontífice está acima da expectativa pela chegada.

No Uruguai, o cardeal Daniel Sturla também enfatizou que o bem-estar de Leão XIV deve prevalecer sobre qualquer planejamento.

“Estamos com grande expectativa pela vinda do Papa, mas, antes de tudo, nestes dias, estamos rezando pela sua saúde e pelo seu bem-estar, para que ele realmente esteja bem. Colocamos isso acima de qualquer desejo que temos”, declarou.

Agenda poderá ser adaptada

Na Argentina, a programação prevê encontros com jovens, pessoas com deficiência e integrantes da população carcerária, além de atividades em Buenos Aires, Córdoba e Luján.

Segundo Musolino, a intenção é que a presença do papa vá além das celebrações que reúnem grandes multidões e contribua para fortalecer o trabalho pastoral junto às comunidades.

Os representantes da Igreja também sinalizaram que estão abertos a mudanças na programação para evitar uma agenda excessivamente exigente para o pontífice.

“Estamos abertos, claro, se a visita acontecer agora, a aliviar um pouco a agenda do Santo Padre”, afirmou Sturla.

A disposição dos bispos demonstra que, embora a visita seja aguardada com entusiasmo pelos fiéis, há compreensão sobre a necessidade de respeitar os limites físicos do papa durante a recuperação.

Papa recebeu alta após cirurgia no pulmão

Leão XIV foi internado em 13 de outubro e recebeu alta hospitalar no sábado (17), quatro dias após passar por uma cirurgia para retirar parte do pulmão direito. O procedimento tratou um nódulo diagnosticado como adenocarcinoma, um tipo de tumor que pode se desenvolver em tecidos glandulares, incluindo estruturas do pulmão.

Os compromissos públicos do pontífice até 20 de outubro foram cancelados para permitir sua recuperação. A viagem à América do Sul, considerada uma importante etapa de seu pontificado, permanece prevista para novembro, mas sua realização depende da evolução clínica e de novas avaliações médicas.

O cirurgião torácico Stefano Margaritora, responsável pelo procedimento, afirmou à imprensa que, do ponto de vista clínico, não há impedimentos para a viagem.

“Eu diria que não há motivos clínicos para que esta viagem não ocorra”, declarou o médico.

Apesar dessa avaliação, a programação definitiva ainda depende da recuperação do papa. Até lá, os preparativos continuam, enquanto os representantes da Igreja latino-americana reforçam que o mais importante é que Leão XIV esteja em condições de realizar a visita com segurança.

 

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