Portugal prevê investir 3,1% do PIB em Defesa até o fim de 2026, anuncia Montenegro

O primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou que Portugal deverá investir cerca de 3,1% do PIB em Defesa e segurança até o fim de 2026. O valor inclui despesas militares e investimentos em infraestruturas de utilização dual, como energia, comunicações e mobilidade, em linha com as metas definidas pela NATO.

Portugal deverá encerrar 2026 destinando cerca de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para investimentos ligados à Defesa e à segurança. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (8) pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, durante a cúpula da NATO realizada em Ancara, na Turquia.

Segundo o chefe do governo português, o valor reúne tanto os investimentos diretamente voltados às Forças Armadas quanto os recursos aplicados em infraestruturas consideradas estratégicas para a segurança nacional, como redes de energia, comunicações e mobilidade.

“Temos desenhado já para este ano de 2026 o reforço precisamente desse investimento, quer na componente exclusivamente dedicada à Defesa, quer na componente de utilização dual, que vai fazer com que, de acordo com aquilo que é a nossa estimativa e expectativa, no final deste ano o agregado destas duas componentes signifique cerca de 3,1% do nosso PIB”, afirmou Montenegro.

Como será dividido o investimento

De acordo com o primeiro-ministro, aproximadamente 2,1% do PIB será destinado às despesas estritamente militares.

Já a parcela restante, estimada em cerca de 1% do PIB, será aplicada em projetos classificados como de utilização dual investimentos que, além de atenderem às necessidades civis, também fortalecem a capacidade de resposta do país em situações relacionadas à defesa e à segurança.

Entre os exemplos citados por Montenegro estão melhorias em infraestrutura energética, redes de comunicação e sistemas de transporte e mobilidade.

“Investimentos em infraestruturas de energia, de comunicações, de várias áreas setoriais do Governo”, explicou o primeiro-ministro, acrescentando que essas despesas “também são contabilizadas” para o cumprimento das metas assumidas junto à NATO.

Meta faz parte do compromisso assumido na NATO

O reforço dos investimentos acompanha as novas diretrizes aprovadas pelos países membros da Aliança Atlântica durante a última Cúpula da Haia.

Pelo acordo, os integrantes da NATO deverão investir, até 2035, o equivalente a 5% do PIB em áreas ligadas à Defesa.

Desse total, 3,5% deverão ser destinados às capacidades militares, enquanto 1,5% poderá ser aplicado em setores que fortaleçam a segurança e a resiliência dos países, como infraestrutura crítica, energia, tecnologia e comunicações.

Segundo Montenegro, Portugal já está antecipando parte desse esforço.

Plano de Recuperação também contribui

Durante a coletiva de imprensa, o primeiro-ministro destacou que alguns investimentos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) também ajudam a fortalecer a capacidade do país diante de eventuais crises.

Segundo ele, projetos voltados para a modernização das infraestruturas nacionais aumentam a resistência e a resiliência de setores considerados estratégicos.

Entre eles estão redes de energia, sistemas de comunicação e grandes corredores logísticos que podem ser utilizados tanto em situações civis quanto militares.

Portugal supera pela primeira vez a meta de 2% do PIB

Montenegro também destacou que Portugal alcançou, pela primeira vez desde que a meta foi estabelecida pela NATO em 2014, o investimento mínimo de 2% do PIB exclusivamente em despesas militares.

Segundo o governo, o país atingiu 2,01% do PIB em 2025, representando um crescimento de 38% em relação ao ano anterior.

O resultado coloca Portugal entre os países que passaram a cumprir o compromisso assumido dentro da Aliança Atlântica.

Secretário-geral da NATO elogiou Portugal

Durante a cúpula em Ancara, Montenegro afirmou que a evolução dos investimentos portugueses foi reconhecida pelos parceiros da NATO.

Segundo o primeiro-ministro, o secretário-geral da organização fez uma avaliação positiva do desempenho do país.

O secretário-geral da NATO dirigiu a Portugal um comentário “muito positivo, diria mesmo elogioso”, sobre “a fiabilidade do compromisso” assumido pelo país e a forma como esse compromisso vem sendo concretizado.

Com o anúncio, Portugal reforça sua estratégia de ampliar os investimentos em Defesa e segurança nos próximos anos, alinhando-se às novas metas estabelecidas pela NATO e preparando o país para cumprir os objetivos definidos pela aliança até 2035.

 

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